Encerrada no último domingo, 12 de julho, a exposição “Território — Camadas Culturais” estabeleceu um marco indelével no panorama das artes visuais do Rio de Janeiro. Em uma travessia marcada pela elegância da matéria e pela profundidade do olhar, o artista plástico Gabriel Lima convidou o espectador a um passeio subjetivo pelas dobras e memórias que constituem o solo brasileiro.
Com uma precisão quase arqueológica, a mostra apresentou o ápice de anos de imersão e pesquisas do artista. O trabalho de Gabriel opera como um acalanto poético para a memória coletiva: através de movimentos fluidos, cores magnéticas e texturas marcantes que flutuam sobre a superfície, suas telas lançaram luz sobre narrativas frequentemente invisibilizadas, a riqueza do folclore, as manifestações religiosas e a densidade da vida humana em nossa terra. É a síntese exata em que a matéria bruta se metamorfoseia em arte pura.
Obras que Marcaram a Temporada
Eu Urjo Por Diálogo (2022): Sob a delicadeza de uma licença poética, esta composição abstrata propôs um convite instigante à auto-investigação. Entre nuances vibrantes e dinâmicas, o público foi provocado a decodificar os movimentos e encontrar no próprio repertório emocional os sentidos para o diálogo nas relações humanas.
Série Barranco II: Um dos pontos culminantes da exposição, a obra resgatou a visceralidade dos anos 1980 em Serra Pelada (PA) — onde milhar de homens moveram a terra a 300 metros de profundidade na segunda maior concentração de mão de obra humana da história, atrás apenas das Pirâmides de Gizé. Uma narrativa magnética sobre ambição, degradação e milagre que hoje repousa sob as águas de um lago profundo, imortalizado na sensibilidade crítica do artista.
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