Após gravar 20 novelas em apenas 14 meses, o galã do formato vertical detalha ao jornalista Daniel Nascimento, a rotina intensa de gravações, rebate o preconceito do mercado tradicional e abre o jogo sobre o desejo de alcançar o horário nobre.
Se você costuma passar alguns minutos navegando pelas redes sociais, é muito provável que já tenha se deparado com o rosto de Gabriel Kater. Aos 26 anos, o ator e cantor paulista tornou-se uma verdadeira máquina de engajamento e o nome mais disputado das produções seriadas feitas exclusivamente para o formato vertical.
Enquanto o mercado de streaming móvel movimenta milhões de dólares globalmente, Gabriel vive um ritmo digno de Hollywood. O ator acaba de finalizar as gravações de seu 20º projeto no formato: a novela “Ele é selvagem”, dirigida por Marinho Moraes, e o descanso não está nos planos.
“Acabei de gravar a minha última cena da minha vigésima novela vertical e, em dois dias, já começo a rodar a próxima. É um ritmo industrial extremamente acelerado. Foram vinte produções em um ano e dois meses”, revela o ator com exclusividade.
A Psicologia do “Desapego” e a Resposta do Público
Diferente das produções tradicionais de cinema e televisão, onde o elenco passa meses imerso em um único universo conceitual, o dinamismo do formato para celular exige respostas rápidas e versatilidade imediata.
“Às vezes, na metade de uma novela eu já preciso me preparar para a próxima. Desenvolvi uma técnica pessoal para conseguir entrar na atmosfera de um personagem, me desvincular dele rapidamente e já absorver o próximo papel”, explica Gabriel.
Esse trânsito rápido entre diferentes narrativas rendeu a ele o título de “galã do streaming vertical”, o que reflete diretamente no engajamento de suas redes. O ator conta que lida com o assédio e o retorno do público de forma leve, mesmo quando assume papéis complexos.
“Recebo muitas mensagens de pessoas dizendo que me odiaram em cena, o que é maravilhoso quando interpreto vilões detestáveis. No nosso meio, costumamos dizer que se o público te detesta nesse tipo de papel, significa que o trabalho foi bem-sucedido. É muito gratificante receber esse retorno genuíno de quem consome a arte puramente como entretenimento.”
Do Preconceito ao Reconhecimento de Mercado
No surgimento das plataformas de micro-séries, o formato foi recebido com ceticismo por profissionais habituados ao padrão clássico da televisão. Hoje, no entanto, a indústria observa uma mudança drástica de posicionamento.
“No início, existia um pré-julgamento muito forte e o formato vertical era tratado sem seriedade. Mas o cenário mudou completamente. Hoje, vemos atores consagrados migrando para essas produções, e grandes plataformas de streaming tradicionais criando seus próprios conteúdos verticais. É um mercado que conquistou o respeito que merece”, pontua.
O Próximo Passo
Após anos de formação acadêmica no teatro musical e de enfrentar os desafios naturais do início de carreira, o ambiente digital foi o responsável por consolidar a trajetória profissional e financeira do jovem ator. Embora focado no presente promissor do streaming vertical, Gabriel não esconde que os planos para o futuro incluem os palcos tradicionais.
“O mercado vertical foi quem me deu os primeiros grandes retornos e me possibilita viver da minha arte. Mas o sonho de estar em produções de grande prestígio, como uma novela no horário nobre ou em um longa-metragem para o cinema, continua muito vivo. Sou ator por essência: do teatro musical às telas do celular, o meu objetivo é continuar exercendo o meu ofício”, finaliza.





