Eles transformaram a emblemática portaria dos Estúdios Globo em Curicica em um set de filmagem próprio. Com humor afiado, sensibilidade pop e um faro estético apurado para o viral, John Erick e Andréa Marinho conversam com a Syve Brasil sobre bastidores, o preço do “furo” e a arte de ressignificar a espera.

John, quando você percebeu que bater ponto na calçada de Curicica havia virado uma profissão? Eu morava na mesma rua do Projac e, sempre que passava por ali, observava os fãs ávidos por um registro com seus ídolos. Como eu já havia viralizado no TikTok com conteúdos sobre a final do Big Brother Brasil, decidi começar a documentar e compartilhar esses encontros nas redes. Inicialmente, o rótulo de “desocupado” incomodava as pessoas que frequentavam a calçada; era visto de forma pejorativa. No entanto, percebi ali uma marca forte, com apelo estético e narrativo. Decidi ressignificar o termo, abraçando-o como a identidade do meu trabalho e, eventualmente, como a minha profissão.
Se você tivesse que eleger apenas uma celebridade que parou o carro e entregou o melhor corte de conteúdo para o seu canal até hoje, quem seria? Tatá Werneck. Além de ser de uma generosidade e atenção ímpares comigo, o tempo de comédia dela é cirúrgico. Os vídeos com a Tatá são garantia de engajamento orgânico e números astronômicos.
O que é indispensável no seu kit de sobrevivência para aguentar o dia na portaria? Uma garrafa de água termal ou mineral para o calor do Rio, repelente e, acima de tudo, um propósito inabalável. O resto a gente costura no improviso. (Risos)
Como surgiu a ideia exata de produzir conteúdo na porta do Projac? Essa fascinação pelo universo das celebridades me acompanha desde a infância. Em 2017, cheguei a desenhar um projeto piloto com essa premissa, mas o ecossistema das redes sociais ainda não tinha a musculatura e o alcance de hoje. Como o retorno foi tímido, decidi pausar. Retomei o projeto em 2023, sob um novo cenário digital, onde a monetização e o público já estavam maduros para esse tipo de formato.
Se flagrar um famoso em um momento super privado, o furo fala mais alto ou você guarda o segredo? Nosso foco está sempre nos ambientes de trabalho: gravações, estreias, festas e eventos oficiais. Se um flagrante dessa natureza acontece nesses espaços propícios, eu publico. Faz parte do escopo do meu trabalho. Atualmente, vivemos em uma era hiperconectada onde qualquer pessoa munida de um smartphone é um potencial veículo de informação. Se eu optar por não publicar, outra pessoa o fará, até porque a própria figura pública se expôs a um ambiente de visibilidade.

Andrea, qual é o segredo para sustentar o carão, manter a câmera no ângulo perfeito e não perder a simpatia quando quem está do outro lado do vidro é um ídolo pessoal? A emoção sempre bate, porque antes de ser jornalista eu também sou fã. Mas, na hora da gravação, procuro manter o profissionalismo. O respeito e a educação abrem muitas portas, então tento receber todos com simpatia e fazer meu trabalho da melhor forma possível.
Como você blinda a sua mente contra os ruídos e comentários negativos da internet para focar puramente no desenvolvimento do seu conteúdo? No começo era mais difícil, mas hoje entendo que não dá para agradar todo mundo. Prefiro focar nas pessoas que acompanham meu trabalho com carinho. O apoio do público é muito maior do que qualquer crítica, critica faz parte do processo e isso me motiva a continuar.
Se essa rotina virasse uma novela das nove, qual seria o título e quem interpretaria você? O título seria “Na Porta da Fama”, porque foi ali que construí minha trajetória e vivi momentos inesquecíveis. Para me interpretar, eu escolheria a Giovanna Antonelle, porque acho que ela é um nome de muito peso na televisão brasileira. Além de ser uma atriz talentosa e carismática, acredito que ela representaria muito bem minha história.
No início, você achou que era loucura ou comprou a ideia de imediato? Como foi o primeiro dia? Na verdade, eu nem fui para a porta do Projac com a intenção de trabalhar. Eu tinha acabado de sair de uma participação no Domingão e passei por lá para ver o movimento e tentar tirar uma foto com os artistas que estavam saindo. Foi ali que conheci o pessoal que ficava na porta do Projac e aquilo despertou minha curiosidade sobre como tudo funcionava.
Quando você percebeu que essa dinâmica na calçada poderia se transformar em um negócio real? Depois, na época do BBB, comecei a voltar, gravar os artistas e publicar os vídeos nas redes sociais. Aos poucos, percebi que aquilo poderia dar certo e passei a acreditar cada vez mais na ideia. Os primeiros meses foram de muita ansiedade e expectativa. Fui aprendendo na prática, criando meu próprio jeito de trabalhar, conquistando meu espaço e, principalmente, a confiança dos artistas. Foi aí que percebi que aquilo poderia, de fato, se transformar em um trabalho e em uma fonte de renda.
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