Douglas Sampaio dirige ‘Meu Pai Milionário Me Abandonou’

Conhecido do grande público por sua trajetória diante das câmeras, Douglas Sampaio conversa sobre mudança de carreira, a transição para a direção atrás das telas e o desafio de comandar “Meu Pai Milionário Me Abandonou”, produção que embarca na nova linguagem do audiovisual: a novela vertical.

Você já foi muito rotulado ao longo da sua carreira. Dirigir esse novo projeto é também uma forma de se reposicionar diante do mercado? Acho que, de certa forma, sim. Mas não como uma resposta raivosa ou uma tentativa de provar algo para alguém. Eu venho de uma trajetória em que as pessoas muitas vezes olharam mais para os rótulos do que para o trabalho em si. Quando você assume a direção, você revela outra camada sua: a visão, a liderança, a sensibilidade e a capacidade de conduzir uma equipe para contar uma história. Dirigir faz parte de um processo natural de amadurecimento. Eu continuo sendo ator, mas hoje também me enxergo como criador e produtor. Não quero apagar o passado, quero apenas mostrar que a minha caminhada não cabe em uma única definição.

Douglas Sampaio
Douglas Sampaio – Foto: Reprodução/ Redes sociais

O formato de novela vertical ainda gera desconfiança no meio tradicional. Você acredita que ele veio para ficar ou ainda precisa provar seu valor? Todo formato novo passa por uma fase de desconfiança. Aconteceu com o streaming, com as webséries e agora com as produções verticais. Mas o comportamento do público mudou drasticamente. As pessoas assistem a histórias, se emocionam e descobrem atores através do celular, consumindo dramaturgia em janelas cada vez mais rápidas. O formato veio para ficar, mas ele precisa evoluir técnica e artisticamente. Não basta apenas gravar o vídeo em pé. Precisa ter roteiro, direção, ritmo, imagem e emoção. O grande desafio é entender essa nova dinâmica sem diminuir a qualidade da dramaturgia.

O título “Meu Pai Milionário Me Abandonou” é forte e direto. Ele foi pensado estrategicamente para viralizar ou nasceu de uma necessidade puramente narrativa? As duas coisas caminham juntas hoje em dia. No ambiente digital, um título precisa capturar a atenção de imediato, mas ele não pode ser apenas uma isca vazia. Esse projeto tem impacto porque já carrega um conflito humano muito claro: o abandono, a diferença social, a rejeição e a busca por reconhecimento. É um título popular e forte, mas que se sustenta em sentimentos reais. Todo mundo entende a dor de querer ser visto e de pertencer. O título chama o público, mas é a profundidade da história que o segura ali.

“Dirigir para o celular não é simplificar a linguagem. É adaptar a estética para um novo comportamento de consumo. O rosto ganha força, a emoção precisa ser imediata.”

Qual foi o momento mais difícil no set, onde a pressa do digital quase atropelou o olhar do diretor? Em uma produção com ritmo tão intenso e muitos episódios, o maior desafio é não deixar o tempo engolir a qualidade. Houve momentos em que olhei para o volume de cenas e pensei: “precisamos resolver isso agora, sem perder a verdade”. Não adianta cumprir cronograma se a cena não entregar emoção. O mais difícil é justamente equilibrar produtividade com sensibilidade. Fazer rápido, mas mantendo o olhar apurado.*

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