Somos comuns, e somos grandes: a sensibilidade urbana, o cotidiano marginalizado e a grandeza do comum nas telas de Johnny Chagas.
Nascido em 1990, em Garanhuns, no coração do Agreste nordestino, Johnny Chagas desenvolveu desde a infância uma profunda sensibilidade artística. Desde cedo, suas referências passaram pela música, pela dança, pela literatura e pelo cinema.
Aos nove anos, o artista descobriu sua vocação criativa. Anos mais tarde, em 2009, ele ingressou profissionalmente no mercado visual como tatuador. Atualmente, continua exercendo o ofício.
Paralelamente, Johnny encontrou na pintura outra maneira de transformar experiências em linguagem. Dessa forma, suas telas reúnem vivências, memórias, sentimentos e ideais construídos ao longo de sua trajetória.
A Alma no Dia a Dia
Em sua nova série, intitulada “A Alma no Dia a Dia”, Johnny Chagas direciona o olhar para pessoas comuns. Além disso, o artista aborda identidades frequentemente invisibilizadas pela rotina das grandes cidades.
Com pinceladas viscerais e texturas marcantes, ele transforma cenas cotidianas em narrativas visuais. Nesse contexto, trabalhadores que enfrentam o transporte coletivo todas as manhãs aparecem entre os personagens de sua produção.
Ao mesmo tempo, as obras voltam os olhos para pessoas socialmente vulnerabilizadas. São indivíduos que encontram abrigo nas fachadas dos grandes edifícios urbanos. Ainda assim, carregam desejos, necessidades e esperança por novas oportunidades.
Dessa maneira, Johnny transforma o cotidiano em um manifesto visual sobre humanidade, desigualdade e pertencimento.
Mais do que representar essas pessoas, sua pintura procura reconhecer sua existência. Acima de tudo, a série destaca a potência e a profundidade de cada indivíduo.
O cotidiano como inspiração
Para o multiartista, criar exige uma conexão que vai além do que os olhos conseguem enxergar. Por isso, sua prática artística também envolve espiritualidade, fé e intuição.
Nas situações em que a vida exige superação, Johnny acredita ser necessário ampliar a percepção. Assim, torna-se possível encontrar a luz, a brecha e o caminho para seguir adiante.
Além disso, o artista procura cultivar diferentes olhares sobre o cotidiano. Afinal, cada experiência pode revelar uma sabedoria quando existe disposição para observá-la com atenção.
Essa perspectiva aparece na construção de suas pinturas. Por meio das cores, das texturas e dos personagens, cenas aparentemente simples ganham novas camadas.
Consequentemente, o cotidiano deixa de ser apenas cenário. Ele passa a ocupar o centro da narrativa.
“Ninguém é melhor que ninguém”
A essência da série está diretamente ligada à maneira como Johnny enxerga seus personagens. Em vez de estabelecer hierarquias, o artista procura destacar aquilo que existe de grandioso em cada indivíduo.
Nesse sentido, sua obra parte do cotidiano para discutir questões universais. A cidade, portanto, torna-se um espaço de encontros, contrastes e histórias.
O próprio artista resume essa visão:
“Em minhas pinturas, eu tento transmitir um pouco da vida, do cotidiano de pessoas comuns, gente com as suas identidades invisibilizadas, que pegam o seu transporte coletivo para ir ao trabalho todas as manhãs, e também, os mais desfavorecidos socialmente falando, que dormem nas fachadas dos grandes prédios da cidade, com sede e fome de oportunidades. Essas pessoas são grandes, são profundas e sensíveis. Ninguém é melhor que ninguém! Cada ser possui a sua própria potência!”
— Johnny Chagas
A declaração resume o propósito de “A Alma no Dia a Dia”. Mais do que retratar uma paisagem urbana, Johnny propõe uma reflexão sobre quem ocupa esses espaços.
Ao mesmo tempo, ele questiona a maneira como determinadas pessoas são percebidas pela sociedade. Por isso, seus personagens assumem protagonismo dentro das telas.
Entre a tatuagem e a pintura
A trajetória de Johnny Chagas também revela uma relação constante com o corpo, a imagem e a expressão artística. Desde 2009, o trabalho como tatuador faz parte de sua identidade profissional.
Na pintura, entretanto, ele encontrou outra possibilidade para explorar suas referências. Assim, experiências pessoais e observações do cotidiano ganham novas formas.
Os dois caminhos convivem na identidade do multiartista. Além disso, ambos revelam sua atenção aos detalhes, às formas e às texturas.
Por essa razão, sua produção visual nasce de uma observação cuidadosa do mundo ao redor.
A grandeza do comum
A força de “A Alma no Dia a Dia” está justamente em olhar para aquilo que muitas vezes passa despercebido. Nesse universo, o trabalhador dentro do ônibus também merece atenção.
Da mesma forma, a pessoa que busca uma oportunidade carrega uma história. Quem encontra abrigo nas ruas, por sua vez, também possui sonhos, sentimentos e desejos.
Todos esses personagens fazem parte da mesma cidade. Ainda assim, nem sempre recebem o mesmo olhar.
Johnny Chagas escolhe enxergá-los. Mais do que isso, transforma suas histórias em matéria artística e devolve ao público uma pergunta importante.
Por que algumas vidas recebem tantos olhares enquanto outras permanecem invisíveis?
Ao colocar essas pessoas no centro de suas telas, o artista reafirma uma ideia fundamental. A grandeza não está necessariamente na fama, no dinheiro ou no status.
Ela também pode estar no cotidiano.
Pode estar na resistência de quem acorda cedo para trabalhar. Pode aparecer na esperança de quem procura uma oportunidade. Também pode existir na sensibilidade de quem continua acreditando diante das dificuldades.
Assim, a arte de Johnny Chagas encontra sua força justamente onde existe humanidade.
Um olhar sobre o humano
Nesse sentido, “A Alma no Dia a Dia” ultrapassa uma simples coleção de pinturas. A série propõe um olhar mais atento para a cidade e para as pessoas que ajudam a construí-la diariamente.
Enquanto a rotina costuma acelerar os passos, Johnny convida o público a diminuir o ritmo. Dessa maneira, situações aparentemente banais passam a revelar histórias, sentimentos e possibilidades.
Além disso, sua pintura lembra que nenhuma existência deveria ser tratada como invisível. Cada personagem carrega uma trajetória própria.
A arte, nesse caso, funciona como uma forma de aproximação. Ela cria pontes entre diferentes realidades e permite que o público reconheça a humanidade presente em cada personagem.
No fim, é justamente essa percepção que sustenta a força da série.
Somos comuns, mas também somos grandes. E, nas telas de Johnny Chagas, o cotidiano ganha a dimensão que sempre teve: a de uma história humana.
Serviço
Johnny Chagas
Telefone/WhatsApp: (81) 99283-6605
E-mail: johnnychagaschagas@gmail.com
Instagram: @johnnychagastattoo






