Atriz que ajudou a escrever a história da televisão no Brasil deixa um legado de mais de seis décadas entre o teatro, o cinema e a televisão
Glória Menezes, uma das grandes damas da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira, 18 de agosto, aos 91 anos. A atriz estava em sua casa, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família, que comunicou que ela partiu de forma tranquila. A causa da morte não foi divulgada.
Mais do que uma atriz de televisão, Glória Menezes pertence à história da cultura brasileira. Ao longo de mais de 60 anos de carreira, ela atravessou diferentes fases da dramaturgia. Além disso, construiu uma trajetória marcada por personagens que permaneceram na memória do público. Foram mais de 40 novelas, além de trabalhos no teatro e no cinema.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória iniciou sua trajetória artística ainda jovem. Pouco depois, chegou à televisão no final da década de 1950. Em 1963, ao lado de Tarcísio Meira, protagonizou 2-5499 Ocupado, considerada a primeira telenovela diária da televisão brasileira.
A produção se tornou um marco da teledramaturgia nacional. A partir dali, Glória e Tarcísio passaram a ocupar um lugar de destaque na história da televisão brasileira.
A parceria, entretanto, ultrapassou as telas. Os dois se tornaram um dos casais mais emblemáticos da televisão brasileira e permaneceram juntos por 59 anos, até a morte do ator, em 2021. Dessa forma, a história de amor e de parceria profissional dos dois atravessou gerações e passou a fazer parte do imaginário afetivo do público.
Uma carreira construída entre personagens inesquecíveis
Na televisão, Glória Menezes viveu personagens que mostraram sua versatilidade. Em Irmãos Coragem, de 1970, protagonizou um dos trabalhos mais marcantes de sua carreira. Na novela, interpretou três personagens diferentes: Maria de Lara, Diana Lemos e Márcia.
Além disso, a atriz esteve em produções como Pai Herói, Guerra dos Sexos, Brega & Chique, Rainha da Sucata, A Próxima Vítima, Torre de Babel, O Beijo do Vampiro, Senhora do Destino e A Favorita.
Em Rainha da Sucata, por exemplo, a vilã Laurinha Figueiroa se tornou uma de suas personagens mais lembradas pelo público. Ao longo dos anos, outros trabalhos também reforçaram a importância da atriz para a dramaturgia nacional.
No cinema, Glória também deixou sua marca. Entre seus trabalhos está O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte. O filme venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962.
Já seu último trabalho em novelas foi Totalmente Demais, exibida entre 2015 e 2016. Na produção, interpretou Stelinha, mãe do personagem vivido por Fábio Assunção. Depois disso, ainda participou de projetos especiais na televisão.
O fim de uma geração
A partida de Glória Menezes representa a despedida de uma artista que não apenas acompanhou a evolução da televisão brasileira. Ela também ajudou a construí-la.
Sua trajetória começou quando a televisão ainda dava seus primeiros passos no país. Desde então, a atriz atravessou décadas de transformações na sociedade, na indústria audiovisual e na própria maneira de contar histórias.
Ao lado de nomes como Tarcísio Meira e outras grandes referências da dramaturgia, Glória fez parte de uma geração que transformou a telenovela em um dos principais fenômenos culturais do Brasil.
Por isso, sua importância vai muito além dos personagens que interpretou. A atriz deixa filhos e um legado artístico que atravessa diferentes gerações de espectadores.
Glória Menezes permanecerá associada à elegância, à força de suas interpretações e à história de uma televisão que ajudou a formar a memória afetiva do país.
Nesta terça-feira, o Brasil se despede de uma de suas grandes protagonistas. No entanto, a trajetória de Glória Menezes, construída ao longo de mais de seis décadas, permanece viva.
Afinal, é justamente essa uma das maiores forças da arte: a capacidade de atravessar o tempo e permanecer na memória do público.






